Fim do Auxílio Emergencial causará impacto na economia de São Borja e região

Fim do Auxílio Emergencial causará impacto na economia de São Borja e região

Diante do fim do pagamento do Auxílio Emergencial, criado pelo Congresso Nacional e Governo Federal para reduzir o impacto social junto às famílias de baixa renda durante a pandemia de coronavírus, o professor José Carlos Corrêa, da Unipampa de Itaqui, coordenou pesquisa, através do projeto Acompanha DR, sobre os reflexos do fim desta ajuda nos municípios de Itaqui, São Borja e Uruguaiana. A intenção da pesquisa é igualmente mostrar números relacionados ao Auxílio e analisar seu impacto financeiro na economia das cidades e como irão reagir tanto os municípios como as famílias que não mais receberão a ajuda. 

O Auxílio Emergencial foi pago em cinco parcelas de R$ 600,00 e foi prorrogado em mais quatro parcelas de R$ 300,00. Já as chamadas mães chefes de famílias receberam o dobro destes valores. A pesquisa foi feita através do Portal da Transparência e destaca valores repassados aos três municípios da Fronteira Oeste em 2020. 

O estudo liderado pelo professor José Carlos aponta que 28% da população das três cidades receberam o auxílio, o que significa que a cada quatro cidadãos, um foi beneficiado. O professor diz que “um dos pontos a ser destacado é o alto valor transferido a cada município pelo governo federal no período, embora individualmente os valores sejam relativamente baixos, no cômputo geral assumem uma magnitude importante”.

Tabelas publicadas pela pesquisa mostram os valores repassados aos municípios, mensalmente e ao longo do ano e o percentual da população que foi beneficiada. Somados os valores repassados de abril a setembro, mais a estimativa de setembro a dezembro, São Borja recebeu R$ 49.461.300,00, gerados através de 17.629 benefícios pagos a 28,5% da população. O repasse médio mensal ao município foi de R$ 5.495.700,00; Itaqui teve repasse total de R$ 31.298.700,00, gerados através de 10.651 benefícios pagos a 27,91% da população. A média de repasse mensal foi de R$ 3.477.633,33. Ainda conforme a pesquisa da Unipampa, Uruguaiana recebeu R$ 102.659.100,00 através de 35.289 benefícios pagos a 28,13%. O repasse médio mensal chegou a R$ 11.406.566,67.

“Neste caso, tomando por base a última informação disponível, 2018, observa-se que o valor aportado à Itaqui equivale a 6,7% do Valor Agregado Bruto (VAB) dos serviços, já para São Borja, tem-se 5,7% e em Uruguaiana o equivalente a 7,4%. Se levarmos em conta que essa foi uma medida paliativa, o valor transferido é de grande monta, tanto pela magnitude quanto pela abrangência”, destaca a análise da pesquisa da Unipampa.

De acordo com relato do professor, após o encerramento do pagamento do auxílio emergencial, este grande volume de recursos deixa de circular na economia dos referidos municípios que faz outras avaliações relacionadas à multiplicação destes valores por conta de aquisições nos estabelecimentos de cada cidade. 

“Concluindo, fica latente a importância do auxílio emergencial para as economias dos municípios analisados. Fica a incerteza de como cada um vai se comportar com o final do auxílio. desafio, no caso, será manter a dinâmica econômica sem tal movimentação, que embora tenha tido seus problemas de gestão, sem dúvida nenhuma representou uma ampliação no consumo das famílias de baixa renda, valor esse que em muitos casos não existiria dado que o critério para a transferência de renda era apresentar vulnerabilidade social, e não a perda de emprego”, destaca a parte final do trabalho realizado pela Universidade Federal do Pampa.

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